Graças a vários estudos recentes, a AHA mudou o Suporte Básico de Vida dispensado por leigos. A novidade é o fim da ventilação artificial no resgate dispensado por não-médicos.
A última grande mudança dos algorítmos do SBV e ACLS ocorreu no final de 2005. Naquela ocasião, o bordão criado pela entidade americana era "push harder, push faster", procurando destacar o papel da massagem cardíaca externa no atendimento inicial das paradas cárdio-respiratórias (PCRs).
Mais recentemente, apoiados em vários trabalhos que mostraram a ineficiência da ventilação artificial prestada por socorristas não médicos (por exemplo: ventilação boca a boca), os comitês de reanimação ao redor do mundo estão preconizando a simples retirada deste item dos seus protocolos de suporte básico de vida.
A ênfase agora é na massagem cardíca externa, executada na suspeita de parada cardíca (não se perde tempo procurando pulso ou confirmando sua ausência), em frequencia não inferior a 100 vezes por minuto e, idealmente, causando uma depressão torácica de 3 a 5 cm a cada compressão (adultos).
Outras evidências que suportam essa conduta:
- Trabalhos mostram que mesmo médicos anestesistas em treinamento levam, em média, 2 meses para ventilarem adequadamente os pacientes submetidos a anestesia. Com dispositivos adequados, sem pressão de emergência médica e com paciente em uso de neuro-musculares. Não é muito esperar que um leigo consiga ventilar um paciente em PCR?
- A maior parte das PCRs fora do ambiente hospitalar acontecem por Fibrilação Ventricular secundária a eventos cárdio-vasculares. Geralmente, param com o sangue oxigenado. Então, é mais lógico fazer esse sangue oxigenado circular com a MCE do que perder tempo com ventilação artificial.
- Mesmo paramédicos dos serviços de emergência americanos não podem ser condiderados "experts" na manutenção da via aérea. Só para se ter idéia, na média, um paramédico intuba 3 pacientes adultos por ano. E um pediátrico a cada 2 anos.