Edição: Fábio Luís Ferrari Regatieri
A chamada “Síndrome da Classe Econômica” (SCE) é nome popularmente dado à trombose venosa profunda (TVP) e pode afetar qualquer pessoa que viaja sentada por longos períodos de tempo. Inicialmente descrita como um problema relacionado a viagens de avião (dai o seu nome), hoje reconhece-se que viagens de automóvel, trens e ônibus também são fatores predisponentes para o mal.
Os prncipais fatores de risco são: ficar sentado por períodos superiores a 4 horas, em assentos apertados que comprimam os membros inferiores (especialmente a região das panturrilhas), desidratação por baixa ingestão de líquidos, por excesso de álcool (algumas pessoas usam bebidas alcoólicas para “relaxar” durante o percurso....) ou pela baixa umidade da cabine (dependendo do avião, pode chegar a apenas 2%); idade do passageiro acima de 40 anos, altura superior a 1,80 m, veias varicosas nos membros inferiores, pessoas cardiopatas, com câncer, que se submeteram recentemente a cirurgias, com antecedentes prévios de trombose nos membros inferiores ou embolia pulmonar, ou que tiveram fraturas recentes nos membros inferiores e mulheres que usam contraceptivos orais. Se você não se encontra nas condições acima, adote mesmo assim as medidas preventivas que vamos listar abaixo. Há casos de pessoas jovens, sem qualquer patologia, e que, viajando de primeira classe também apresentaram a doença.
O que acontece nesta situação é uma junção de diversos fatores que causam a formação de um coágulo no sistema venoso de pernas e coxas. Este coágulo ou obstrui a passagem de sangue por esta veia, ocasionando a trombose venosa profunda ou pode desprender-se, atingindo um dos pulmões ( embolia pulmonar ).
Os sintomas são variáveis e podem surgir em questão de horas, dias ou até mesmo semanas após a viagem. Tipicamente, a trombose venosa profunda (TVP) se apresenta com uma vermelhidão nos membros inferiores, inchaço na panturrilha ou na coxa, aumento de temperatura na pele e palidez desta região. Dor torácica, falta de ar, cianose (arroxeamento de lábios e leito das unhas) são sinais que podem aparecer na embolia pulmonar. Aqui vale destacar que há casos com tão poucos sintomas que chegam a passar desabercebidos; por outro lado, há casos tão graves que se apresentam como morte súbita.
Alguns dados podem dar a dimensão do problema:
- O aeroporto de Heathrow, em Londres, registra uma morte de passageiro por SCE ao mês. O hospital mais próximo dali registrou a morte de 30 passageiros nos últimos três anos.
-Na Austrália, um único escritório de advocacia moveu mil (!!!) ações de passageiros contra seis companhias aéreas somente no ano passado. O motivo ??? SCE.
- Em um hospital de Narita, próximo ao aeroporto internacional de Tóquio, de 100 a 150 passageiros são tratados por SCE logo após suas chegadas a cada ano. De 3 a 5 % deles morrem !
- O ex vice presidente dos EUA, Dan Quayle é uma das mais notáveis vítimas da TVP, tendo sofrido com a doença durante um vôo em 1994.
Bem, diante disto, o que fazer ??? Não podemos simplesmente esperar que as companhias aéreas (de ônibus, de trem...) aumentem o espaço aos passageiros de classe econômica. Assim sendo, aqui temos algumas medidas úteis a serem adotadas para sua próxima viagem:
- Você pode e DEVE caminhar durante sua viagem. Tente levantar-se e caminhar ao menos por cinco minutos a cada hora. Caso não seja possível, tente simular uma caminhada com movimentos em suas pernas. Ajuda a sangue circular melhor e diminui o risco de trombose.
- Evite desidratação; esta condição provoca constrição dos vasos sangüíneos e hemoconcentração ( o sangue “engrossa”). Assim, evite bebidas alcoólicas e mantenha uma ingestão líquida apropriada.
- Aspirina (AAS) lhe faz mal ? Não ? Então tome algo em torno de 250 mg (meio comprimido do tamanho adulto) um pouco antes da partida. A aspirina inibe o processo de formação de coágulos sangüíneos e é útil nestes casos.
- Use meias elásticas medicinais. Estes dispositivos melhoram o fluxo sangüíneo venoso e diminuem a possibilidade de trombose venosa.
Saiba mais sobre trombose venosa profunda