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Sedação em consultórios odontológicos nos EUA
Dica Técnica

Edição: Fábio Luís Ferrari Regatieri

Problemas com sedação em consultórios odontológicos levam estado americano do Texas a exigir treinamento extra de dentistas nessas técnicas. A lei, aprovada em 2001, entrou em vigor em meados de Fevereiro passado.

Uma resolução pouco habitual da Assembléia Legislativa do Texas está mandando milhares de dentistas de volta às salas de aulas a fim de que se reciclem em técnicas de sedação, prática comum em consultórios pediátricos dos EUA. As mortes de ao menos doze crianças pelo país relacionadas com sedação em odontologia - uma delas no Texas – chamou a atenção dos legisladores no último ano, convencendo-os que pode haver algum problema em como a sedação oral é administrada.

O senador republicano John Carona lutou pela aprovação da nova lei estadual. Ele declarou que parece haver um potencial perigo tanto para pacientes adultos e/ou pediátricos, uma vez que os dentistas americanos não são obrigados a ter qualquer treinamento específico no uso de certos sedativos orais.

De acordo com a nova lei, os 11.000 dentistas do Texas terão até 01-Set-2002 para fazerem um curso de 2 dias se quiserem continuar a administrar sedativos orais em seus consultórios. O curso, que tornou-se disponível em Janeiro passado, destaca como essas medicações são administradas juntamente com outras tradicionalmente empregadas em técnicas de sedação, como o óxido nitroso.

“Isto não significa algum tipo de acusação contra os dentistas do estado, pois eles têm um histórico de segurança muito bom em sua prática diária”, disse o Sen Corona. “O fato é que você não quer por seu filho nas mãos de um dentista para um procedimento simples e um trágico engano acontecer.” O Estado diz que que as novas regras se aplicam também a uma forma de anestesia divulgada nas rádios como “sleep sadation”. Com este método, pacientes tomam sedativos orais em casa antes de ir para o consultório odontológico para realizar o tratamento.

Os legisladores texanos já haviam decidido preparar uma lei regulamentando a sedação em consultórios odontológicos quando um garotinho de 3 anos de idade morreu após um procedimento odontológico em Houston. Daniel Huynh morreu em 07-Set-2000, um dia após seus pais o levarem ao dentista para uma série de tratamentos. Depois de deixar o consultório, o menino desenvolveu problemas respiratórios e foi levado a um hospital, onde faleceu. De acordo com os registros do Estado, a autópsia indicou que ele ingeriu uma combinação letal de sedativos orais e óxido nitroso.

“A nova lei estadual não é resultado desta tragégia em particular”, enfatizou o Sen Carona. “Foi a morte de uma garotinha de 9 anos, ocorrida em Odessa, 1998, durante uma cirurgia simples num consultório médico que me fez perceber que algo deveria ser feito. Se aconteceu num consultório médico, também poderia acontecer em um consultório odontológico.”

Segundo Jeffry Hill, diretor executivo da Texas State Board of Dental Examiners ( uma espécie de Conselho Regional de Odontologia), vários outros estados estão preparando medidas para aumentar a segurança deste tipo de procedimento. Outras crianças morreram em circunstâncias parecidas. Somente no Estado da Califórnia foram sete óbitos. “ Nosso Conselho estava modificando nossas próprias regras relacionadas à sedação consciente quando o Legislativo decidiu agir no ano passado”.

O Estado já exige treinamento especial para outros tipos de sedação, como por exemplo, o uso de óxido nitroso e outros anestésicos gerais. Anestésicos locais, incluindo a Novocaína, são permitidos sem exigências adicionais. A nova regulamentação versa sobre como o dentista deve usar a sedação oral, incluindo baixas doses de ansiolíticos como Diazepan e Triazolam. As novas regras também cobrem o uso intravenoso de ansiolíticos.

Inicialmente, os dentistas não gostaram muito da obrigação de um novo treinamento, disse a Dra. Patrícia Blanton, periodontista em Dallas e porta-voz da Texas Dental Association, organização que congrega 7.200 profissionais. “Todos nós temos um certo orgulho do alto nível da odontologia texana. Nossos associados simplesmente não enxergaram a razão para esse mandato. Entretanto, aqueles que já fizeram o curso, o acharam bastante útil”.

De qualquer modo, aproximadamente 1500 dentistas já obtiveram a nova permissão. Em torno de 1000 profissionais já tinham treinamento avançado em técnicas de sedação e não necessitaram de um curso adicional.

O foco primário da nova regulamentação é obter um melhor controle de como os dentistas colocam seus pacientes em estado de “sedação consciente”. Este método diminui dor e ansiedade sem deixar o paciente inconciente. O indivíduo é capaz de respirar por si mesmo e responde a estimulação física e verbal.

“Há muitos dentistas que fazem isso de forma segura todos os dias”, diz o Dr. David Grogan, um cirurgião dentista que está ministrando o novo curso de sedação no Baylor College of Dentistry, Dallas, uma divisão da Texas A&M University Health Sciences Center. “O curso vai ajudar a todos, com foco na avaliação do paciente, na farmacologia das drogas e nos cenários de emergência que podem surgir dentro de um consultório odontológico”.

De acordo com Jeffry Hill, o Estado não fez nenhuma regulamentação prévia à sedação odontológica oral porque “havia um sentimento geral de que administrar medicação oral não implicava nos mesmos riscos de outros tipos de sedação. Os dentistas não percebiam que poderiam incorrer em situações de risco.”

Nos últimos 5 anos , a Texas State Board of Dental Examiners investigou 22 mortes pretensamente relacionadas com prática odontológica. Somente em 2 casos encontrou-se evidência de culpa do dentista e geraram punições por parte da instituição. Das outras 16 investigações concluídas, 7 mortes relacionaram-se a reações adversas à anestesia, 6 não foram devidas a causas não relacionadas ao procedimento odontológico e 3 não quaisquer receberam anestésicos. Quatro casos ainda estão pendentes.

Além destes, 15 casos foram encaminhados depois que pacientes odontológicos sofreram sérias complicações da anestesia, como convulsões e paradas cardíacas, que resultaram nas suas hospitalizações. Apenas um desses casos já tem um parecer final.

 
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