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Gases anestésicos e Esclerose múltipla
Dica Técnica

Edição: Fábio Luís Ferrari Regatieri

Um estudo publicado por pesquisadores suecos correlaciona exposição do staff da sala cirúrgica a gases anestésicos com aumento de até 3 vezes na incidência de Esclerose Múltipla. Na pesquisa foi estudado um grupo de enfermeiras com diagnóstico de esclerose múltipla (EM). Das 83 incluídas no estudo, 13 eram enfermeiras anestesistas e 11 delas foram expostas a gases anestésicos em média 14 anos antes de terem seus diagnósticos fechados. Os pesquisadores partiram para a comparação com a incidência de EM na população geral e acharam uma taxa 3 vezes maior nas enfermeiras anestesistas.

Gases anestésicos, especialmente os halogenados, são quimicamente relacionados com solventes orgânicos usados na indústria, os quais já foram previamente implicados em aumento de incidência de EM.

Em nota divulgada, os pesquisadores afirmam que “embora baseado em dados pouco trabalhados e em análises preliminares, este estudo demonstra evidências de um risco excessivo das enfermeiras anestesistas desenvolverem EM.” Na opinião do Dr Ulf Flodin, do Department of Occupational and Environmental Medicine, University Hospital, Linköping, Suécia, há uma forte ligação entre exposição a gases anestésicos e EM. Alerta ainda que novos estudos devem ser feitos a fim de se comprovar ou não os seus achados.

Chris Jones, chefe executive da organização MS Trust , disse em entrevista à BBC que: “Até que se saiba a causa da EM é claro que veremos muitas hipóteses sendo levantadas para explicar a origem da doença. Obviamente, os achados deste trabalho são motivo para nos preocuparmos. Entretanto, devemos ter em mente que a amostra (83 enfermeiras) é muito pequena. Necessitamos ter estes resultados confirmados em amostras populacionais maiores, a fim de confirmarmos a veracidade das conclusões a que chegaram o estudo sueco”.

Na opinião do Professor Peter Hutton, presidente do Royal College of Anaesthetists (Reino Unido), “estes são achados localizados numa determinada população nunca antes encontrados em estudos maiores, que levaram em conta dados coletados ao redor do mundo.” Completa o raciocínio dizendo que “ se houvesse realmente um aumento na incidência de EM, porque não a temos observado na população de médicos anestesiologistas? “

De qualquer forma, os pesquisadores foram enfáticos ao sugerirem medidas para diminuir a exposição ocupacional dos profissionais de saúde que trabalham nas salas cirúrgicas onde são realizadas anestesias inalatórias. Os sistemas antipoluição, bem como uso de anestesias com técnicas de baixo fluxo de gases frescos são boas sugestões atingir esse objetivo.

O estudo foi publicado no jornal Occupational and Environmental Medicine e você pode ler a íntegra do artigo em formato PDF clicando aqui ou ver o resumo dele na nossa seção “Resumos de Artigos”.

 
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