Agulhas espalham a hepatite na China.
Dica Técnica
Edição: Fábio Luís Ferrari Regatieri
Graças ao hábito chinês de tratar doenças com injeções e às pobres condições da zona rural chinesa, este país está sendo assolado por epidemias de doenças transmitidas por via hematogênica.
Enquanto que nos Estados Unidos é extremamente raro uma criança tomar injeções, na China é comum uma criança tomar de 6 a 12 injeções por ano.
Um estudo conduzido pela Unicef e pelo Ministério da Saúde chinês no ano passado em 40 distritos rurais da China demonstrou que entre 47 a 65 % das crianças tomaram injeções para tratar seu último episódio de gripe. O coquetel básico para o tratamento de gripe inclui dois antibióticos ( desnecessários e que promoverão resistência bacteriana ), uma droga antiviral que não funciona para o tratamento de gripe e um esteróide que vai apenas causar depressão imunológica. Pior que os efeitos colaterais imediatos, é o risco de contrair doenças por via hematogênica.
Em um estudo de 1999, pesquisadores Chineses verificaram que 88% das injeções administradas na área rural da China não são seguras. As agulhas e seringas são reutilizadas sem serem esterelizadas adequadamente. Algumas sequer sofrem qualquer processo de limpeza.
Este tipo de prática tem sido responsabilizado pelos altos índices de contaminação da população Chinesa pelo HIV e principalmente pelas hepatites virais.
Em dezembro de 1999, um estudo publicado no The Chinese Journal of Epidemiology, mostrou que 56% dos médicos rurais somente trocam agulhas e seringas caso vejam sangue no interior das mesmas. Em várias clínicas rurais, seringas usadas são colocadas numa caixa, aguardando apenas pela sua reutilização.
Há uma verdadeira indústria de reciclagem de material médico que deveria ser simplesmente descartado. Seringas e agulhas são recolhidas e recicladas sem qualquer cuidado. No ano passado, os jornais chineses cobriram várias batidas policiais em fábricas de fundo de quintal que estavam ilegalmente limpando e reembalando seringas descartáveis. Em uma dessas fábricas na província de Zhejiang foram encontradas mais de quatorze toneladas de material médico de uso único incluindo mais de quatro toneladas de agulhas, informou o jornal The Legal Daily.
A hepatite B é transmitida através de 4 formas principais: no parto, pela via sexual, por material médico contaminado ou transfusões. Em um estudo realizado junto a gestantes chinesas, constatou-se que 9% apresenta hepatite B ativa, expondo uma grande porcentagem de recém-nascidos à doença. Na idade de 6 anos, 34% das crianças já tiveram contato com este vírus. Outra pesquisa correlaciona a quantidade de injeções que as crianças tomam anualmente com a incidência de hepatite B.
Atualmente, 60% dos chineses já tiveram contato com o vírus da hepatite B, contra apenas 1% dos americanos ou japoneses. Algo em torno de 150 milhões de chineses têm uma das formas crônicas da doença.
Hepatite B causa dor, náusea e cansaço e pode tornar-se uma infecção crônica ou câncer de fígado. Tumores deste órgão, relativamente raros no ocidente, são a maior causa de morte por câncer na China.
Muito embora haja uma vacina eficaz contra essa patologia, bastante utilizada nos EUA, a mesma é muito cara e não está incluída no programa de vacinação do governo chinês.
Em conclusão, numa recente conferência médica, Dr. Liu Shijing estimou que de 30 a 40 % dos casos de hepatite B na China são resultantes de procedimentos médicos e alguns experts estrangeiros afirmam que esse número pode ser ainda maior.