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Síndrome da Fibromialgia na Infância
Dra. Bernadete de L. Liphaus
Dica Técnica

A síndrome da fibromialgia é classificada como uma síndrome de amplificação da dor com múltiplos pontos dolorosos. As síndromes de amplificação da dor constituem um grupo de alterações do sistema músculo-esquelético caracterizadas por dor sem causa orgânica associada ou com sintomatologia desproporcional aos achados de exame físico. A síndrome da fibromialgia é uma doença crônica, não inflamatória, caracterizada por dor difusa em estruturas periarticulares (músculos, ligamentos e tendões) e fadiga. A dor é referida em pontos localizados, simétricos e previsíveis (pontos dolorosos).

A frequência da síndrome da fibromialgia na infância vem aumentando à medida que esta entidade torna-se mais conhecida. Ocorre mais em meninas, entre 9 e 15 anos. O exame físico, com exceção dos pontos dolorosos e os exames laboratoriais são normais.

Freqüentemente fatores sociais e/ou emocionais estão envolvidos com o aparecimento da dor. Na criança, fatores sociais e psicológicos como, divórcio dos pais, nascimento de irmãos e morte de familiares, podem ser fatores desencadeantes. Estudos com famílias mostram influências de fatores ambientais, como ansiedade materna, na fibromialgia na infância. Geralmente estes pacientes apresentam sintomas associados e fatores de modulação da dor (quadro 1).

O diagnóstico da fibromialgia baseia-se nos critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia (ACR) de 1990:

1- Dor generalizada: dor em localização axial e dor nos segmentos corpóreos inferior, superior, hemicorpo direito e hemicorpo esquerdo, com uma duração mínima de três meses.

2- Dor à dígito-pressão de 4 Kg em 11 ou mais dos 18 pontos dolorosos

Figura 1: Localização dos 9 pares de pontos dolorosos na síndrome da fibromialgia.

Quadro 1: Sintomas associados e fatores de modulação da dor na síndrome da fibromialgia.

A etiopatogenia da síndrome da fibromialgia permanece desconhecida, mas alguns autores sugerem que pacientes com fibromialgia apresentariam sono não restaurador o que levaria o indivíduo a diminuir sua atividade física e ter dificuldades em realizar suas tarefas diárias, com aumento da ansiedade, do estresse e das contraturas musculares. Estas alterações levariam à dor, acentuando ainda mais as dificuldades de um sono restaurador. Desta forma o ciclo vicioso da dor estaria estabelecido (figura 2).

O tratamento do quadro doloroso é sintomático, multidisciplinar e visa interromper o ciclo vicioso da dor em qualquer um de seus pontos, proporcionando uma melhor qualidade do sono e reduzindo as dores. Os analgésicos, os antiinflamatórios não hormonais, o calor local, a massagem e a acupuntura são usados para alívio das dores na fibromialgia. Os exercícios, em especial os aeróbicos devem ser estimulados visando a retomada da atividade física. Psicoterapia e estratégias de auto-ajuda são importantes para que o paciente aprenda a conviver com a dor e determine os fatores de melhora, de piora e os possíveis desencadeantes e procure evitá-los. Os antidepressivos visam melhorar a qualidade do sono.

Figura 2: Mecanismos etiopatogênicos da fibromialgia: ciclo vicioso da dor.

O prognóstico da fibromialgia a longo prazo, com a instituição das medidas terapêuticas adequadas costuma ser bom, mas remissão completa e permanente é rara. A fibromialgia é uma doença crônica e pouco diagnosticada em crianças e adolescentes que causa sofrimento físico e emocional importante a seus portadores. Apesar da normalidade do exame físico e dos exames laboratoriais, a sintomatologia dolorosa deve ser devidamente valorizada e tratada. Sua identificação permite a instituição de medidas terapêuticas que melhoram de maneira significativa a qualidade de vida destes pacientes.

Bibliografia

  1. Sherry, D.D. Pain Amplification Syndromes. An overview. Annals of Park City IV: Pediatric Rheumatology Into the Next Century - Park City - Utah, USA, de 14 a 18 março de 1998.
  2. Wolfe, F.; Smythe, H.A.; Muhammad, E. et al. The American College of Rheumathology 1990 criteria for classification of fibromyalgia. Arthritis Rheum., 1990, 33 (2): 160-70.
  3. Bennett, R.N. The Fibromyalgia Syndrome. In: Kelley, W.N.; Harries, E.D.; Rudy, S.; Sledge, C.B. ed Textbook of Rheumatology. 5th ed. Philadelphia, Pennsylvania, W.B. Saunders Company, 1997. Chap. 34, v.1, p.511-9.
 
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